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Crítica: Novela de apostas, Além do Horizonte merece ser vista

ALEX CARVALHO/GLOBO

A atriz Juliana Paiva, que estreia como protagonista, em cena de Além do Horizonte, nova novela das sete da Globo - ALEX CARVALHO/GLOBO

A atriz Juliana Paiva, que estreia como protagonista, em cena de Além do Horizonte, nova novela das sete da Globo

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 04/11/2013, às 20h58

Saem de cena os flashes, os holofotes e a ironia crítica à cultura midiática de Sangue Bom e entram no ar o verde amazônico, as aventuras e os mistérios que cercam Além do Horizonte, a nova novela das sete da Rede Globo.

À primeira vista, chama a atenção o fato de a trama deixar um pouco de lado uma das marcas registradas do horário: o humor. Justamente por trazer essa novidade, merece ser vista com bons olhos.

Além do Horizonte traz a assinatura de dois estreantes na titularidade de uma novela: Carlos Gregório e Marcos Bernstein, que acumulam trabalhos bem-sucedidos no cinema e na televisão. Bernstein assinou, junto a João Emanuel Carneiro, a série A Cura, também repleta de mistérios e enigmas a serem desvendados pelo público. A dupla trabalhou, ainda, na colaboração de A Vida da Gente, de Lícia Manzo.

A direção, com pegada e fotografia cinematográficas, fica a cargo de Gustavo Fernandez, do núcleo de Ricardo Waddington, responsável pela renovação da linguagem visual das últimas bem-sucedidas novelas da emissora. É de se estranhar, entretanto, a falta do colorido típico das novelas das sete. Mais uma vez, não é demérito e sim um diferencial.

A história gira em torno de três jovens que buscam encontrar pessoas desaparecidas de suas famílias: Lili, William (Thiago Rodrigues) e Rafa (Vinicius Tardio). A primeira busca o pai, o segundo, o irmão e o último, a namorada. Por trás disso tudo está a busca pela felicidade, nem que para isso seja preciso, como sugere o título da novela, ir “além do horizonte”. É uma questão filosófica um tanto “pesada” para um horário de novela que pede leveza, mas, se tratada com cuidado e sem doutrinação, pode render bons momentos.

O texto da novela ainda não mostrou a que veio. Os autores preocuparam-se, pelo menos no primeiro capítulo, em apresentar os três protagonistas. Juliana Paiva, aliás, tem carisma e seu sorriso não deve demorar a conquistar os telespectadores. Está bem no papel da jovem mimada que tem a vida virada de ponta-cabeça depois de começar a descobrir verdades sobre seu pai. Já o estreante Vinicius Tardio é inexpressivo. Decora o texto, mas esquece de interpretar. Foi essa a impressão que passou ao ter em mãos a cena mais dramática da história, uma discussão com a namorada na qual leva um fora.  

O elenco é complementado por jovens oriundos de Malhação, como Rodrigo Simas e Christiana Ubach. Incomoda um pouco a repetição de um vilão para Marcello Novaes (Kléber), mesmo que o perfil do atual personagem, mais duro e violento, nada lembre o de Max de Avenida Brasil.

Ainda assim, é um alívio não ver Alexandre Borges (Thomaz), mais uma vez, na pele de um garanhão inveterado como o de seus dois últimos personagens (Cadinho, de Avenida Brasil, e Jacques Leclair, de Ti ti ti). Maria Luiza Mendonça (Inês), presença bissexta nas novelas, é outro respiro no elenco. A surpresa da estreia foi o JP Rufino, o pequeno Nilson, um garoto esperto que trabalha como barqueiro na região amazônica.

Vale destacar também o esmero da equipe de cenografia, que conseguiu reproduzir com fidelidade uma vila amazônica, a fictícia Tapiré. O telespectador, de fato, é transposto para uma comunidade ribeirinha. 

Em suma, Além do Horizonte é uma novela de apostas. Os autores são debutantes, o cenário é novidade, a temática misteriosa é inédita para o horário e o elenco é quase desconhecido do grande público. Por tudo isso, vale uma aposta da audiência.   

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