LUELLEM DE CASTRO

Praticante de candomblé, atriz de Malhação relata intolerância: 'Já ouvi muitas piadas'

CESAR ALVES/TV GLOBO

Luellem de Castro interpreta a estudante Talíssia na novela Malhação - Vidas Brasileiras - CESAR ALVES/TV GLOBO

Luellem de Castro interpreta a estudante Talíssia na novela Malhação - Vidas Brasileiras

GABRIEL PERLINE - Publicado em 23/04/2018, às 06h01

A última quinzena de Malhação - Vidas Brasileiras dedicou sua narrativa a um tema pouco presente na dramaturgia brasileira: a intolerância religiosa. A personagem Talíssia foi agredida fisicamente e ainda viu seu terreiro ser destruído por bandidos, um crime frequentemente praticado nas comunidades Rio de Janeiro. Por coincidência, a atriz Luellem de Castro, intérprete da estudante, é praticante do candomblé e já foi alvo da ignorância dos colegas a respeito da religião africana. "Já ouvi muitas piadas", diz.

A atual temporada de Malhação, assinada por Patricia Moretzsohn, muda o enfoque e o protagonista a cada quinzena. Na última, tratou da intolerância religiosa de forma direta, sem apelar ao tom professoral, e se valeu de argumentos recorrentes nos noticiários, que apontam bandidos ditos evangélicos como autores dos crimes.

"Esses ataques acontecem por herança histórica. Por muitos anos se demonizou tudo o que era de descendência africana. Para o cidadão de bem acreditar que escravizar alguém era possível, e mais, aprovado por Deus, era preciso desvalidar toda humanidade do povo negro. E aí começou a perseguição. Demonizaram as religiões, o samba, a capoeira, demonizam o funk e tudo mais", reflete.

Essa demonização das religiões de origem africanas colocaram Talíssia na mira de bandidos. Alvo de ataques constantes, ela não esmoreceu ao ver seu terreiro destruído e ganhou forças ao ver os amigos do colégio, incluindo o evangélico Vinícius (André Luiz Miranda), liderar o grupo de estudantes que ajudou a reconstruir o seu centro religioso.

"A força de Talíssia vem da necessidade. Ninguém gosta de ser forte. Ser humano nasceu para ser feliz e não pra fazer força. A força, ao meu ver, normalmente vem da necessidade", reflete.

A atriz de 22 anos é estreante na TV e comemora o fato de interpretar uma personagem que dialoga com a sua realidade. "A atuação que eu estudo e acredito é próxima das pessoas. Poder fazer isso assim, logo de primeira, me deixa de verdade muito à vontade", afirma.

MARÍLIA CABRAL./TV GLOBO

Luellem de Castro, assim como Talíssia, também é praticante do candomblé

Ela se iniciou no candomblé no ano passado, durante o período em que fazia testes para entrar em Malhação. Embora sua curiosidade e interesse existissem há anos, ela cedeu ao convite de um amigo para pisar pela primeira vez em um terreiro.

"Minha força para não me abalar com as ofensas também vem da necessidade. Ou você se abala com ofensas ou vive. Não dá tempo pra curtir as duas coisas. Ver um terreiro destruído deve ser uma dor horrível. Eu fico mal só de ler notícia no jornal, imagine passar por isso mesmo", diz.

Para Luellem, a novela cumpriu bem o seu papel ao chamar a atenção do público para a questão da intolerância religiosa e espera que uma semente tenha sido plantada na mentes daqueles que não sabem respeitar as escolhas do próximo.

"A novela ajuda a propagar a mensagem da tolerância religiosa, já que desde bebê a gente reproduz o que a gente vê. Então provavelmente quanto mais se enxerga amor mais se reproduz amor. É no que eu escolhi acreditar", comenta.

A partir desta semana, a trama de Malhação girará em torno do estudante Leandro (Dhonata Augusto). O menino arranja um emprego como dançarino em uma boate e será exposto por Alex (Daniel Rangel), que filmará o rapaz em cena e espalhará o vídeo. Além do constrangimento perante os colegas, seu pai, Tom (Daniel Ribeiro), o expulsará de casa.

 

 

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