CRÍTICA

Jade vive: Giovanna Antonelli apaga mocinha insossa e domina Segundo Sol

PAULO BELOTE/TV GLOBO

Giovanna Antonelli (Luzia) em cena de Segundo Sol: atriz é um dos grandes acertos da novela das nove - PAULO BELOTE/TV GLOBO

Giovanna Antonelli (Luzia) em cena de Segundo Sol: atriz é um dos grandes acertos da novela das nove

RAPHAEL SCIRE - Publicado em 26/05/2018, às 05h36

Mesmo antes de toda a polêmica envolvendo a representatividade racial no elenco de Segundo Sol, atual novela das nove da Globo, uma queda de braço se instaurou nos bastidores sobre a presença ou não de Giovanna Antonelli como a protagonista Luzia. Diretores da emissora argumentavam que a atriz não tinha as feições adequadas ao papel de baiana, mas o autor João Emanuel Carneiro bateu o pé e bancou sua presença.

Com duas semanas de trama no ar, Giovanna dá mostras de que a resistência de Carneiro não foi em vão: Luzia tem tudo para entrar no rol de grandes personagens de sua carreira.

Dar vida a mocinhas é sempre uma tarefa ingrata às atrizes. Em geral, são personagens chapadas, choronas e sem o charme da vilania. Giovanna, entretanto, demonstrou ter o carisma necessário para protagonizar histórias dramáticas, vide o sucesso de O Clone (2001), em que interpretou Jade.

Para além de suas qualidades artísticas, pesam outros fatores nesse estouro rápido da protagonista. O primeiro, sem dúvidas, é o texto bem escrito e desenvolvido de João Emanuel Carneiro, que obviamente ajudou Giovanna na construção da personagem _que quase foi parar nas mãos de Camila Pitanga.

A atual mocinha vive o mesmo grau de sofrência que Jade: apaixonou-se por Beto Falcão (Emilio Dantas), engravidou, foi enganada pelas vilãs da história, teve seu bebê roubado por Karola (Deborah Secco), foi presa injustamente por um crime que não cometeu e perdeu a guarda dos filhos. Fugitiva, passa por uma reviravolta na segunda fase da novela ao voltar para o Brasil a fim de reconquistar sua família.

O segundo fator é que, em novela, existe sempre um contraponto entre mocinha e vilã. A antagonista direta de Luzia, Karola, ainda não tem um tom de interpretação bem definido por Deborah Secco, único desvio em um elenco central bem uniforme.

Deborah patina para dar personalidade à vilã ao repetir caras e bocas de outras personagens que interpretou _basta comparar sua atuação como Darlene, na reprise de Celebridade (2003) no Vale a Pena Ver de Novo. Com isso, é natural que Luzia ganhe ainda mais destaque e conquiste a torcida do público.

É preciso ressaltar, porém, que a temática da mocinha vingativa, que é como a trama de Luzia tende a se desenrolar na próxima fase, já está virando carne de vaca nas novelas da Globo. Apenas como exemplos recentes, é possível citar Avenida Brasil (2012) e a recém-terminada O Outro Lado do Paraíso, que tinham como principal chamariz de seus enredos a vingança da protagonista.

Ainda assim, Luzia tem um propósito maior, que é a reintegração de seus laços familiares, destruídos após as armações de Laureta (Adriana Esteves) e Karola.

Obra aberta que é, Segundo Sol tem muito chão pela frente e, com isso, a possibilidade de consertar os erros de escalação que culminaram na polêmica da ausência de negros em seu elenco central. É inegável, porém, que o talento de Antonelli para protagonista vai muito além da questão da cor de sua pele.

Com Luzia, Giovanna consegue, também, limpar sua imagem depois da mocinha insossa a que deu vida em Sol Nascente (2016). Nesse sentido, o folhetim atual representa uma nova chance à atriz; um segundo sol, de fato. É a prova de que Jade está mais viva do que nunca.

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