Entrevista

Espancador de O Outro Lado do Paraíso repara erros: 'Era muita dor', diz Guizé

Reprodução/TV Globo

Gael (Sergio Guizé) foi espancado e sofreu na cadeia: ator acredita na redenção do personagem - Reprodução/TV Globo

Gael (Sergio Guizé) foi espancado e sofreu na cadeia: ator acredita na redenção do personagem

MÁRCIA PEREIRA - Publicado em 26/04/2018, às 05h11

Nem Sergio Guizé faz campanha para que Clara (Bianca Bin) termine com Gael em O Outro Lado do Paraíso. O espancador chega ao fim da trama regenerado, mas sem o apoio do próprio intérprete. Para o ator, Gael deve construir um futuro diferente de seu passado torto, mesmo que sozinho. Ele diz ainda que, se fosse filho de uma psicopata como Sophia (Marieta Severo), a internaria para descobrirem como alguém pode ser tão má.

"O Gael está buscando e fazendo o bem, era muita dor. Ele segue reparando os erros e se perdoando para ficar forte e usar a própria vida como um instrumento do bem e do amor", resume Guizé. 

O ator diz que o ex-agressor deveria ter um final em que amparasse as pessoas prejudicadas por Sophia e que saga de Gael não é de ódio e vingança, mas uma história de amor e redenção.

A "condenação popular" ao personagem agressivo foi feita ainda no primeiro mês da trama. Sua trajetória flertou com heroísmo e até com explicações controversas para sua violência, como um espírito maligno que existiria dentro dele e os espancamentos que sofreu na infância.

O autor Walcyr Carrasco apostou todas as fichas no carisma do ator para ajudá-lo a reverter isso. Desde que escreveu a sinopse de O Outro Lado do Paraíso, o novelista sequer cogitou outro nome para viver Gael. Na época, Guizé tinha acabado de ser bem-sucedido por sua atuação como o caipira Candinho, de Eta Mundo Bom! (2016).

Mas o machista Gael gerou repulsa já na primeira semana do folhetim ao usar a violência para transar com Clara em sua lua de mel. Ainda nos primeiros capítulos, ele distribuiu tapas e jogou a mulher escada abaixo.

Foram três agressões físicas contra Clara e tantas outras verbais, além de tentativas de violência que não se concretizaram. Isso inviabilizou ainda lá atrás que esse personagem se transformasse no mocinho da história, a ponto de poder competir pelo final feliz com a mocinha no mesmo nível que Patrick (Thiago Fragoso). 

reprodução/tv Globo

Público não perdoou agressão de Gael a Clara (Bianca Bin) na primeira fase da novela

Aos 37 anos, Guizé quer se dedicar ao teatro após o fim da novela, que termina no próximo dia 11. O ator concedeu uma entrevista exclusiva ao Notícias da TV em que faz um balanço desse trabalho, a sua quarta novela com personagem de destaque desde que fez João Gibão, o homem alado de Saramandaia (2013). 

Como é para um ator fazer um homem que gerou repulsa? 
O Walcyr constrói essas viradas muito bem, um talento na hora de surpreender. Esse personagem é riquíssimo. Tem muitas camadas, nuances e é de uma intensidade fora de série. É difícil, mas é um delicioso desafio, estou amando essa virada.

O Gael está buscando e fazendo o bem, era muita dor. Ele segue reparando os erros, se perdoando também, para ficar forte e usar a própria vida como instrumento do bem e do amor.

Gael nunca foi vilão, mas foi terrível. Como você vai fazer para mostrar que é possível se regenerar?
Eu acredito na redenção de todo ser humano. Acho que tem os dois caminhos, é só você escolher o caminho certo. Eu penso que sempre o caminho certo é o caminho da luz, do bem. Acho que todo mundo tem uma oportunidade, porque o presente é um presente. O passado já foi e não tem como mudar.

Eu gostaria muito que o Gael se tornasse uma pessoa melhor, que ele aproveitasse essa oportunidade de viver em sociedade de novo para plantar o amor e fazer o bem para as pessoas.

Na vida real, você teve contato com agressores? Fez laboratório para entender a agressividade contra a mulher? E que tipo de lição tira dessa vivência ficcional?
Nunca presenciei violência contra mulher. Não convivi com isso, mas escutei muitas histórias, pesquisei, li e vi filmes e séries que abordam o assunto, tais como Te Dou Meus Olhos [2003], da espanhola Icíar Bolllaín, e o brasileiro Legítima Defesa [2017], de Sara Stopazolli. Lindos filmes que transformaram essa dor horrível em poesia.

Recebeu alguma cantada inusitada por interpretar um agressor? Que tipo de repercussão na sua vida, no seu dia a dia, Gael trouxe?
Eu não tenho conseguido sair. Não tenho conseguido fazer nada por conta do trabalho que é muito intenso. Estou focado no Gael, principalmente nessa nova fase dele, nesse caminho da trama que está me exigindo bastante. Então, infelizmente não estou tendo muito contato com o público. Mas as pessoas que eu encontro são pessoas com reações diversas, mas é sempre muito positivo.

Tem gente que ama muito o Gael, alguns não gostam tanto, mas me abordam com sorriso no rosto para falar do trabalho e de como é importante falar do tema que o personagem levantou no começo da novela. Eu fico muito feliz quando encontro as pessoas e elas me falam alguma coisa que também são presentes para o personagem. É aí que eu sei que, de algum jeito ou de outro, está funcionando.

reprodução/tv globo

Cena de Gael sendo violento com Clara (Bianca Bin), que foi exibida no segundo capítulo

Como você enxerga esse amor dele pela Clara? Existe na vida real?
O que o Gael sente é um amor incondicional pela Clara, e esse amor existe sim.

Qual final você deseja para o playboy? 
Eu acho que um bom final seria ele amparar as pessoas que foram prejudicadas, abusadas, lesadas pela mãe. Eu acredito que ele estará completamente recuperado, porque acredito na redenção do ser humano. E acho que a nossa história fala sobre redenção e amor, não sobre ódio e vingança.

Você denunciaria sua mãe, se ela fosse uma criminosa como a Sophia? 
Se eu tivesse uma mãe como a Sophia, eu a internaria pra descobrir o que é isso, porque não é possível que uma pessoa seja tão ruim. Depois que descobríssemos algo, eu faria ela pagar pelos seus crimes de acordo com o que ela fez.

Que trabalho você sonha fazer? Qual é o seu próximo passo?
Vou fazer Macbeth [de William Shakespeare] no teatro em janeiro de 2019. Estou ansioso, um personagem incrível, um sonho. E espero fazer alguma adaptação de qualquer obra do autor russo Fiódor Dostoiévski.

Por que Clara deveria ficar com o Gael? Ou será que ele merece ficar sozinho?
Acho que a Clara deve escolher com quem vai ficar e ser muito feliz. Gael vê a Clara como uma guerreira, mãe de seu filho e seu grande amor. Nessa fase do Gael, o que mais importa para ele é fazer de tudo para essa mulher que sofreu tanto ser feliz. O personagem vai apoiar a decisão dela. Ame e deixe amar.


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