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Donos de antenas parabólicas sabotam TV digital no interior do Brasil

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Técnico de empresa fabricante de antena parabólica instala equipamento: sucesso no interior - Reprodução/Century

Técnico de empresa fabricante de antena parabólica instala equipamento: sucesso no interior

DANIEL CASTRO - Publicado em 27/09/2017, às 05h21

A implantação da TV digital falhou em seu primeiro teste de verdade no interior do Brasil. Previsto para acontecer nesta quarta (27), o apagão analógico em Juazeiro do Norte e Sobral, no Ceará, foi adiado para daqui a cinco meses, em 28 de fevereiro.

Essa história tem dois vilões: as emissoras, que ainda não instalaram transmissores digitais, e as antenas parabólicas. Estimativas do governo federal e das redes de TV apontam que no interior do país até dois terços da população recebe televisão via satélite, por meio de antenas parabólicas.

Pesquisa do Ibope Inteligência realizada na semana passada mostra que Sobral tem hoje mais parabólicas (63%) do que terrestres (46%). Em Juazeiro, as antenas terrestres (68%) só superaram as parabólicas (61%) nas últimas semanas.

A antena parabólica oferece ao telespectador muito mais opções do que as antenas terrestres, além de um sinal analógico de boa qualidade em qualquer lugar, na cidade ou em longínquas áreas rurais. São mais de 30 emissoras, da Globo ao Esporte Interativo e canal Futura. É como se fosse uma TV por assinatura gratuita.

Já a TV digital não está totalmente implantada em todo o país. Em Sobral e Juazeiro, por exemplo, Record, SBT e RedeTV! ainda são analógicas.

Diante desse quadro, o telespectador que tem antena parabólica não se vê estimulado a comprar um televisor ou conversor digital. Em Juazeiro, 23% dos domicílios ainda são analógicos; em Sobral, esse índice é de 27%. Os transmissores analógicos só podem ser desligados quando 93% das casas tiverem TV digital.

Há uma relação direta entre antena parabólica e TV digital. Quanto maior a penetração das parabólicas, menor a da TV digital.

Interior de São Paulo preocupa
O adiamento do apagão analógico no interior do Ceará acionou o sinal de alerta nas principais redes. Elas estão preocupadas mesmo é com o inteior de São Paulo, o segundo maior mercado consumidor do país, para onde vai uma respeitável parcela dos investimentos publicitários.

A 60 dias do desligamento dos sinais analógicos, algumas regiões ainda estão longe dos 93% de digitalização. É o caso de Franca. Lá, 31% das casas ainda são totalmente analógicas, e 28% delas assistem TV via parabólicas.

A penetração das parabólicas também é grande no entorno da desenvolvida Campinas: 27%. Na segunda maior metrópole do Estado, 20% das casas ainda estão prontas para a TV digital. A situação é melhor em Santos (17%), mas um pouco pior no Vale do Paraíba (22%) e Ribeirão Preto (24%).

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