BRASILEIRO, MAS NEM TANTO

Primeiro filme nacional da Netflix é estrelado por três atores estrangeiros

Fotos: Pedro Saad/Netflix

O português Diogo Morgado em cena de O Matador, primeiro filme brasileiro da Netflix - Fotos: Pedro Saad/Netflix

O português Diogo Morgado em cena de O Matador, primeiro filme brasileiro da Netflix

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 10/11/2017, às 06h16

Disponível a partir desta sexta-feira (10) para os assinantes da Netflix em 190 países, O Matador é o primeiro longa brasileiro produzido pela plataforma de streaming. De fato, ele foi escrito e dirigido por Marcelo Galvão, rodado no Nordeste e conta com vários atores brasileiros. O elenco, porém, é liderado por três estrangeiros: os portugueses Diogo Morgado e Maria de Medeiros e o francês Etienne Chicot.

Morgado, que já foi chamado pela imprensa norte-americana de "Jesus gostosão" ao viver Cristo na minissérie A Bíblia (2013), larga o sotaque lusitano em O Matador para interpretar o nordestino Cabeleira, assassino de aluguel mais temido da região.

Chicot é o antagonista do filme, o francês Monsieur Blanchard, que contrata os serviços de Cabeleira, mas acaba abusando da inocência do rapaz para seus planos de expandir negócios por novas áreas. Maria de Medeiros vive a mulher de Blanchard, uma francesa visceral, vaidosa e capaz de qualquer coisa pela família.

Morgado minimiza o fato de ser um português estrelando na produção brasileira. "Para mim, é uma honra. Como a intenção da Netflix é a globalização, ela aposta cada vez mais em produtos nacionais de diferentes países. Acho um privilégio poder fazer parte dessa bola de positivismo e de bons conteúdos", desconversa.

Acostumado a gravar na Europa e em produções hollywoodianas como a série The Messengers (2015) e CSI: Cyber (2015-2016), o português sofreu com o tempo que passou na caatinga. "Não foi nada fácil para um rapaz cosmopolita como eu", contou ao Notícias da TV, aos risos.

"Mas eu usei isso a meu favor. Fui duas semanas antes das gravações para lá, para me ambientar, encontrar referências na população. Em pouquíssimo tempo tive de encontrar uma forma de viver que não é a minha. O choque de realidade acabou sendo uma coisa boa", explica.

Imagens e personagens de O Matador remetem a clássicos do faroeste norte-americano

Faroeste à brasileira
O Matador é construído e filmado como um faroeste norte-americano, que substitui o Velho Oeste pela seca do Nordeste na época do fim do cangaço. Mas, além dos duelos de quem tem o gatilho mais rápido, há uma história de família.

Abandonado pelos pais, Cabeleira é adotado ainda bebê por Sete Orelhas (Deto Montenegro), o matador dos matadores. O sumiço do pai de criação faz com que Cabeleira, que até então vivia isolado, vá até a cidade e tenha contato com outras pessoas pela primeira vez.

Além da relação mal resolvida com o pai, o protagonista ainda precisa lidar com a descoberta de um filho. Sem nenhum conceito de vida em sociedade, Cabeleira tem de abraçar sua paternidade para cuidar do menino. "O faroeste é, no fundo, uma história de afetividade e carência", diz Morgado.

Apesar de os três papéis principais ficarem com estrangeiros, o elenco brasileiro é grande e conta com bons nomes. Os destaques são Paulo Gorgulho e Marat Descartes: o primeiro é Sobral, rival dos cangaceiros que assolam a região e que acaba na mira de Cabeleira. Já Descartes é Quatro Olhos, que trabalha na delegacia e faz de tudo para se livrar de Sobral.

Entre as mulheres, Daniela Galli (atualmente em Malhação) rouba a cena. Thaila Ayala também tem bons momentos, mas acaba ofuscada em um universo masculino. Já Mel Lisboa e Maytê Piragibe têm participações de poucos segundos.

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