BASTIDORES DOS HERÓIS

Homofobia e briga por salário: os Power Rangers que a TV e o cinema não mostram

Divulgação/Paris Filmes

Ludi Lin, Naomi Scott, Dacre Montgomery, RJ Cyler e Becky G em cena do filme Power Rangers - Divulgação/Paris Filmes

Ludi Lin, Naomi Scott, Dacre Montgomery, RJ Cyler e Becky G em cena do filme Power Rangers

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 20/07/2017, às 06h23

Na TV desde 1993, os Power Rangers estrelam uma das franquias mais duradouras da televisão: ao longo de 24 temporadas, mais de 800 episódios foram produzidos. E, no início deste ano, um longa foi lançado, com atores diferentes revivendo os personagens da série antiga. O reboot serve tanto para cumprir a dose de nostalgia dos fãs antigos quanto para apresentar os heróis a uma nova geração de espectadores.

Quem assiste ao longa ou ao programa de TV, no entanto, não imagina os bastidores tumultuados da produção em seus quase 25 anos no ar. Os atores originais foram demitidos da série após brigarem com os produtores por salários maiores ou por serem vítimas de homofobia quando as câmeras não estavam gravando.

Há ainda o protagonista de uma temporada que foi condenado à prisão após matar seu colega de quarto e três atores brasileiros que já vestiram as roupas e os capacetes coloridos para salvarem o mundo das forças do mal.

O filme de Power Rangers está disponível para locação no Now por R$ 11,90. Já as três temporadas de Mighty Morphin Power Rangers podem ser vistas no Clarovídeo, sem custo adicional para assinantes da Net e da Claro TV. As fases Zeo, Força Animal, Tempestade Ninja, Dino Trovão, SPD, Força Mística e Operação Ultraveloz também estão no Clarovídeo. Confira cinco curiosidades sobre os Power Rangers: 

reprodução/clarovídeo

Austin St. John, Thuy Trang e Walter Jones lutaram por salários melhores e foram demitidos

Mão fechada
Quando a série foi lançada, em 1993, a repercussão surpreendeu até mesmo os produtores da atração. Inicialmente prevista para ter 40 episódios, a primeira temporada ganhou mais 20 capítulos.

Mas os astros não viram o sucesso se estender para seus cofres: mesmo com uma carga de trabalho insana, gravando de dois a quatro episódios de meia hora por semana, eles recebiam salários irrisórios _e, como a produção usava um elenco não ligado ao sindicato dos atores, eles não tinham nenhum direito garantido.

Quando os atores Austin St. John (intérprete de Jason, o Ranger vermelho), Thuy Trang (Trini, a Ranger amarela) e Walter Jones (Zack, o Ranger preto) procuraram os produtores para exigir cachês maiores e a sindicalização dos atores envolvidos, foram sumariamente demitidos, sem chance de sequer se despedirem.

Os episódios de transição para o novo trio, formado por Rocky (Steve Cardenas), Aisha (Karan Ashley) e Adam (Johnny Yong Bosch), foram feitos usando imagens de arquivo e outros atores de costas, se passando pelos que saíram.

Em entrevista ao Hollywood Reporter, Shuki Levy, um dos criadores da série, falou sobre o repasse de valores. "Eu só cuidava da parte criativa, deixava os salários para [os produtores] Ronnie Hadar e Haim Saban. Mas acho que, quando você está começando uma carreira e tem a oportunidade de estrelar um sucesso, deveria olhar pelo lado positivo, e não reclamar que não está recebendo o suficiente", criticou. 

reprodução

Intérprete de Billy, David Yost sofria com comentários homofóbicos nos bastidores da série

Herói no armário
Outro dos cinco Rangers originais, o ator David Yost permaneceu na série de 1993 a 1996 como Billy, inclusive trocando o capacete azul pelo posto de cientista e inventor oficial de bugigangas dos novos heróis. Nos bastidores, porém, Yost sofria com o bullying dos produtores, que faziam piadas homofóbicas o tempo todo.

Em 2010, quando o ator se assumiu homossexual, ele revelou que pediu demissão porque foi chamado de "faggot", uma expressão ofensiva para se referir a gays.

"Os criadores, produtores, escritores e diretores usavam esse termo para falar comigo. Eu simplesmente saí do estúdio na hora do almoço e não voltei mais. Trabalhar em um ambiente assim era muito difícil, especialmente porque eu ainda tentava entender quem eu era", lembrou em entrevista ao site No Pink Spandex.

Os tempos parecem ter mudado: no longa de Power Rangers lançado neste ano, a personagem Trini (agora vivida pela cantora e atriz Becky G) se assume lésbica em uma cena sutil, mas extremamente importante: com a revelação, ela se tornou a primeira heroína abertamente homossexual do cinema.

reprodução/clarovídeo

A feiticeira Rita Repulsa (Machiko Soga) sempre fazia planos para 'destruir' os Power Rangers

Expressões proibidas
Quem assistir aos episódios de Power Rangers vai se deparar com personagens falando sobre "destruição" ou ameaças do tipo "eu vou destruir você". O motivo é simples: por se tratar de uma série infantil, os roteiristas foram proibidos de usar as palavras "morte" e "matar", substituindo-as por uma expressão menos agressiva.

Mesmo cientes da norma, os escritores tentavam driblar a censura interna. No episódio 34 de Força Animal, que reúne Rangers vermelhos de todas as temporadas, eles competem para ver quem foi o líder mais importante.

Andros (Christopher Khayman Lee), então, declama: "Eu matei Zordon!". A cena foi gravada, mas não passou pelo crivo final. O ator precisou redublar a fala para "Eu salvei dois planetas!", uma frase bem diferente da original.

Novamente, o filme deste ano faz avanços consideráveis nesse aspecto: logo na primeira cena, Rita Repulsa (Elizabeth Banks) aparece matando alguns Rangers do passado em um confronto com Zordon (Bryan Cranston). Depois, quando ameaça Trini, a feiticeira é bem direta: "Eu já matei uma Ranger amarela antes". 

divulgação

Ricardo Medina Jr. trocou a liderança dos Power Rangers por seis anos atrás das grades

Atrás das grades
Se falar sobre morte era proibido em frente às câmeras, nos bastidores a situação era bem diferente. O ator Ricardo Medina Jr., intérprete do Ranger vermelho Cole Evans na temporada Força Animal, foi condenado em 2017 a seis anos de cadeia por ter assassinado um colega de apartamento em janeiro de 2015.

Medina e Josh Sutter discutiram por causa da presença constante da namorada do ator na casa que compartilhavam. Alterado, o ex-ranger pegou uma espada samurai que guardava em seu quarto e a usou para golpear várias vezes o colega. Ele declarou ter agido para se defender de Sutter, mas o juiz não se convenceu.

reprodução/clarovídeo

O brasileiro Glenn McMillan na pele do Ranger amarelo da temporada Tempestade Ninja

Heróis nacionais
Em 24 temporadas, mais de 120 atores já tiveram a honra de interpretar um Ranger. Assim, não é de se estranhar que alguns deles tenham sangue brasileiro. O pioneiro foi o paulista Glenn McMillan, que interpretou o Ranger amarelo Dustin em Tempestade Ninja, de 2003. Apesar do nome gringo, o ator nasceu na pequena São João da Boa Vista, mas mora na Austrália desde os 3 anos.

O carioca Davi Santos continuou o legado do país na franquia como o Ranger dourado de Power Rangers Dino Charge, exibida entre 2015 e 2016. Neste ano, a ex-Malhação Chrysti Ane Lopes estreou como Sarah, a Ranger rosa de Ninja Steel, exibida atualmente no Brasil pelo Cartoon Network.

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