SILVANA TEIXEIRA

Bloqueada como atriz na Globo, ex-moça do tempo troca TV por animais

Arquivo pessoal

Silvana Teixeira com um de seus cães no hotel Pet da Sil, que ela mantém em Embu das Artes - Arquivo pessoal

Silvana Teixeira com um de seus cães no hotel Pet da Sil, que ela mantém em Embu das Artes

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 05/02/2018, às 05h51

Uma das apresentadoras do Bambalalão (1977-1990), marco infantil da TV Cultura, Silvana Teixeira migrou para a Globo após o fim do programa para trabalhar como moça do tempo. O fato de estar na maior emissora do país não a satisfez, já que a atriz desejava fazer novelas, mas foi barrada. Frustrada com a televisão, largou tudo há uma década e começou a trabalhar com animais. Hoje, aos 61 anos, mantém um hotel para pets.

"Eu estava dentro da Globo, fazendo a previsão do tempo no São Paulo Já. Mas eu era atriz, minha vontade era fazer novela. Gravava nos estúdios que ficavam na Praça Marechal Deodoro e via atores e atrizes ali para fazer testes. Quando eu me oferecia, não deixavam, porque eu era contratada do Jornalismo", lembra ela.

Ironicamente, Silvana recebeu várias propostas para fazer novelas na Globo antes de ser contratada pela casa. Mas, na época, estava no Bambalalão e recusou todas as ofertas. Inclusive, chegou a ser convidada para protagonizar Livre para Voar (1984). O papel na novela de Walther Negrão e Alcides Nogueira ficou com Carla Camurati.

"Eu inventava justificativas, dizia que achava desnecessário cortar o cabelo, cada hora dava uma desculpa. A verdade é que eu não queria deixar a Cultura, porque lá eu era paparicada por todo mundo, do diretor até o porteiro. É claro que todo mundo quer trabalhar na Globo, mas eu morria de medo de sair da Cultura", assume.

Quando o Bambalalão chegou ao fim, Silvana foi convidada por Carlos Nascimento para trabalhar no SP Já, que substituiu o SPTV na grade da Globo entre 1990 e 1996. O jornal tinha uma proposta diferenciada, mais popular. A informalidade era tanta que a atriz interpretava uma personagem maluca na previsão do tempo.

"Eles me apresentavam como Silvana Teixeira mesmo, mas era uma figura muito louca. Se ia chover, eu aparecia segurando um guarda-chuva. Uma vez, a previsão era de sol e eu gravei na piscina (risos). E na época a tecnologia era menos avançada, então errava tudo. Eu falava para não viajar no feriado porque ia chover e fazia o maior sol. As pessoas me zoavam muito quando me encontravam", diverte-se.

Na época, Silvana foi muito criticada dentro da emissora por conta do tom informal apresentado no quadro de meteorologia. "Fugia do padrão global, diziam que destoava muito do que era feito em outros jornais. Ouvi que eu era infantil demais, que tinha levado o clima do Bambalalão para um jornal", recorda.

Na Record e no hotel
Frustrada por não ter chances como atriz e sem reconhecimento dos colegas como moça do tempo, Silvana foi para a Record atuar no programa Agente G (1995-1997), onde retomou a parceria com Gérson de Abreu (1964-2002), seu parceiro no Bambalalão. Depois, reencontrou outro amigo do infantil, Álvaro Petersen, no Reforma Fácil na TV, em que dava dicas de bricolagem.

"Quando o programa acabou, fui fazer teatro. Mas, infelizmente, não dá para sobreviver só disso no Brasil. E a TV é um meio um pouco ingrato, eu não recebia mais convites, depois de uma certa idade as pessoas param de te chamar. Aí, há uns dez anos, fui atrás de outro plano", conta ela.

Silvana (à esq.) com Gigi Anhelli no Bambalalão: fãs do infantil viraram clientes do hotel (Arquivo/TV Cultura)

Apaixonada por bichos desde a infância, Silvana criou um táxi para animais e, em seguida, abriu o hotel Pet da Sil, localizado em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

"Eu continuo trabalhando com crianças, só que agora elas têm quatro patas (risos). Tenho vários clientes que eram fãs do Bambalalão e agora trazem seus pets para cá. Eles confiam em mim, não é? O Bamba tinha uma credibilidade que se transferiu para a equipe."

Longe da TV há 20 anos, Silvana não esconde a saudade que sente de estar no vídeo. Porém, se diz mais que satisfeita com a vida que leva.

"Eu gostava demais de trabalhar como atriz, mas já passou essa fase de bater de porta em porta, de implorar trabalho. Não preciso mais provar nada para ninguém. Eu estou muito bem aqui também, não poderia ir para o Rio e abandonar o hotel", releva.

 

 

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