OPERÁRIA DA ARTE

Aos 89 anos, Laura Cardoso descarta aposentadoria: 'Falta fazer muita coisa'

Imagens: André Seiti/Divulgação

A atriz Laura Cardoso posa para foto feita para divulgar a exposição que celebra sua carreira - Imagens: André Seiti/Divulgação

A atriz Laura Cardoso posa para foto feita para divulgar a exposição que celebra sua carreira

LUCIANO GUARALDO - Publicado em 23/02/2017, às 06h17

No ar em Sol Nascente, Laura Cardoso tem brilhado mais uma vez, agora na pele de Sinhá, a vovó bandida com jeito de santa. E, com uma vitalidade que vai além dos seus 89 anos, a atriz conta que não tem planos de parar de atuar. Nem mesmo os problemas de saúde que a mantiveram afastada da trama durante dois meses a fizeram diminuir o ritmo.

"Não posso parar, porque ainda falta fazer muita coisa. Eu acho que, em um mundo de personagens, o próximo papel sempre traz algo novo para você, é uma novidade. Gosto muito de tentar ver o que eu posso criar dentro do que o autor me oferece", disse ela na noite de quarta-feira (22), na abertura de uma exposição que celebra seus mais de 70 anos de carreira, no Itaú Cultural, em São Paulo.

A ideia de parar de trabalhar fica ainda pior pelo fato de que Laura sempre detestou a ideia de ser dona de casa. Em uma revista antiga que é exibida na mostra, a atriz revela que não gosta de realizar trabalhos domésticos e que o tempo livre em sua casa é ocupado com a leitura de livros.

"Eu sempre gostei de ler e de interpretar o que eu lia. Acho que essa chama da atuação nasceu comigo, me moveu para seguir esse caminho", lembra ela, que antes mesmo de ser atriz já fazia pequenas apresentações para a avó em cima de um caixote.

Com mais de 50 novelas no currículo, Laura se considera uma verdadeira operária da arte: "Uma vez, uma amiga minha me criticou por isso, disse que eu trabalhava pesado, como se fosse operária. E eu sou mesmo, tenho orgulho disso, porque quero sempre fazer melhor. Às vezes acerto, às vezes não, mas é uma honra poder trabalhar como operária no meu ofício".

A experiência de sete décadas na ativa deu a Laura a sabedoria para separar a atriz da mulher. E a Laura atriz, segundo ela, não tem os pudores da Laura mulher.

"Ator não pode ter vergonha, pudor. Se tiver que tirar a roupa, fazer alguma cena mais forte, eu faço. Não tem essa de ficar com frescura, 'Não vou fazer porque isso ou aquilo'. O ator verdadeiro se abre, se dá por inteiro. Eu nunca tive pudor. Será que estou desavergonhada?", provocou, com a língua entre os dentes.

Laura Cardoso coloca a língua entre os dentes, sinal de malcriação que 'emprestou' para Sinhá

A voz de Betty
A exposição traz algumas curiosidades sobre a carreira de Laura. Revela, por exemplo, que é dela a voz de Betty Rubble nas primeiras três temporadas do desenho Os Flintstones (1960-1966). Ela também dublou a versão para o Brasil de alguns filmes americanos, mas não aprovou a experiência.

"Você fica em um quarto fechado, com uma campainha que a toda hora aborrece, é um horror", disse em reportagem exposta no espaço.

A Ocupação Laura Cardoso também mostra que a atriz nem sempre foi uma unanimidade entre a crítica. Na novela Os Apóstolos de Judas (1976), da Tupi, seu sotaque português não foi bem recebido. Sem levar desaforo para casa, Laura respondeu aos críticos na época usando as mulheres portuguesas da própria família. "É assim que as mulheres do Porto falam. Não estou estereotipando ou caricaturizando a personagem", alfinetou.

Há ainda depoimentos de amigos, como Lima Duarte, Miguel Falabella e Carla Camurati, e pedaços de tecido que fazem referência a quatro personagens marcantes da atriz: Isaura, de Mulheres de Areia (1993); Soraya, de Explode Coração (1995); Laksmi, de Caminho das Índias (2009); e Doroteia, de Gabriela (2012).

Por fim, LPs revelam o gosto musical de Laura. Na coleção, há concertos de Chopin e Beethoven, boleros, e obras de Tom Jobim e Barbra Streisand. Como boa operária da arte, ela também destaca trilhas sonoras de novelas como Brilhante (1981), da primeira versão de Anjo Mau (1976) e de Explode Coração, entre outras obras. A mostra continua no Itaú Cultural (avenida Paulista, 149) até 30 de abril.


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